20.5.11

Profissão: Cientista


Não tenho dúvidas de que, independente de qualquer profissão, somos frutos de nossos caminhos profissionais e de nossa vida particular.

Nessa jornada, a coisa mais importante que uma pessoa pode experimentar é o mistério, no sentido de você se dedicar a algo desconhecido.

Com relação ao cientista, manter essa entrega ao não saber é muito importante, ainda que a institucionalização da ciência venha corroendo, paulatinamente, essa dinâmica do mistério, pelo fato de exigir a hierarquia, a disciplina e uma linguagem própria para seu funcionamento. 

A questão do poder está muito relacionada a isso, mas o poder por si tem a característica de ser retrógrado, uma vez que ele deseja se perpetuar

Com relação a isso, a ciência não é exceção à regra, no entanto, o fato dela sempre se questionar, não a permite obter uma teoria final, definitiva sobre as coisas, ou seja, tudo o que se diz na área científica pode ser modificado ou aperfeiçoado no futuro.

Em outras palavras, a ciência é o reino da dúvida e busca explorar e compreender o mundo além do que podemos captar através dos nossos sentidos.

É importante ressaltar também que, a ciência não trata do “porquê” das coisas acontecerem ou serem, mas sim se preocupa em responder o “como” essas coisas acontecem. 

O cientista dedica toda sua vida ao estudo da natureza, porque ele é um apaixonado por ela. A visão desse profissional racional, que trabalha constantemente com números e gráficos, precisa ser complementada com características de sensibilidade e emoção, retirando-se assim os estereótipos inerentes a essa profissão.

Sendo assim, uma vez que na ciência não existem verdades finais, o processo de busca torna-se o mais importante, a energia propulsora, na vida do cientista.

Nós não podemos viver sem a ciência. Ela está em todas as dimensões da nossa vida.
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Uma boa semana leitores!
Aguardo os comentários de vocês, ok? ;D
Até o próximo texto!

28.2.11

Parabéns para o Blog: 2 meses

O Blog Lagartas Gordas (*) completa, hoje, dois meses de existência com:
  • 9 textos originais. Uma média de mais de um texto por semana.
  •  3.481 visitantes, sendo 3.101 originados do Brasil (89%) e os demais, 380, de outros países. Uma média de 60 visitantes por dia e 435 por semana.
  •  132 comentários críticos. Uma média de 15 comentários por texto.
  •  39 seguidores no Google friend connect. 
Parabéns a todos! =D

(*) A expressão Lagartas Gordas não foi pensada para ofender, perverter ou ironizar, mas sim, para fazer uma crítica ao medo de ousar das pessoas, que preferem permanecer acomodadas.

24.2.11

Pesquisador no Brasil: ser ou não ser, eis a questão

O Brasil tem demonstrado atualmente um aumento no grau de maturidade democrática, estabilidade econômica e inclusão social que nos permite, independente de nossas profissões, sonhar grande.

Na área científica, dados mais recentes, de 2008, mostram que o Brasil subiu degraus no ranking da produção científica mundial, ao passar da 15ª para a 13ª colocação, superando Holanda e Rússia.

Na década de 90 o Brasil detinha apenas 0,6% da produção científica mundial, subindo para atuais 2,6%. Os EUA ainda lideram esse ranking com 29% de todos os artigos publicados no mundo, enquanto a China possui 9,9%.

Além disso, o Brasil formou cerca de 10 mil novos pesquisadores doutores, um crescimento de dez vezes em 20 anos. Desse total, só a USP é responsável por 20%, Unicamp 9% e a Unesp 7,6%.

Produzimos, hoje, ciência de qualidade no que se refere à economia do conhecimento natural, ou seja, nas áreas de agricultura (commodities), gás e petróleo e energia limpa.


No entanto, precisamos avançar em outros setores como, por exemplo, o da economia da informação, o do conhecimento e o setor da saúde (fármacos e equipamentos).

Diante desses cenários, emergem as seguintes questões: ser ou não ser pesquisador no Brasil, eis a questão...


Ser pesquisador no Brasil é:

1) Firmar, acima de tudo, um compromisso com a sociedade.
 
2) Estar apto e disposto a construir a imagem de uma ciência forte no Brasil.

3) Entender a ciência como questão estratégica para construção da soberania nacional, mas também para fazer diferença localmente, mostrando à sociedade o que se pode obter a partir dos avanços científicos.

 
4) Superar uma burocracia infernal, frustrante e desgastante para realizar as pesquisas.

5) Superar a falta de infra-estrutura das universidades e centros de pesquisa.

6) Submeter seus trabalhos, constantemente, à crítica da comunidade científica nacional e internacional.


7) Compreender que todos têm algo a ensinar.


8) Lutar para derrubar o muro de Berlim, ainda existente, entre a Universidade e a Iniciativa privada.

9) Se dividir em vários projetos simultaneamente, porque, bem ou mal, a produtividade do trabalho acadêmico é medida em artigos científicos publicados.




10) Apresentar compromisso ético com o trabalho, pois na ciência a mentira tem a perna mais curta do que o convencional, pelo fato dela ser extremamente cartesiana

11) Entender que a ciência que desenvolvemos só é verdadeira se alguém conseguir repeti-la, senão as descobertas cairão no esquecimento.

12) Estar apto a apresentar o conhecimento correto, aplicável, ético, racional, inteligente e cidadão aos governantes de todas as esferas.
 
13) Ter novas idéias, vontade de experimentar e descobrir. Mas descobrir pelo acaso também.

14) Utilizar os métodos mais adequados para potencializar o conhecimento.


15) Utilizar o material mais adequado para aumentar a possibilidade de conhecer.

16) Compreender que as disciplinas ministradas na Universidade não existem por si só, mas que são problemas reais. Por isso, é necessário que, cada vez mais, cada conhecimento tenha a humildade de aceitar ser intercruzado com outros.

17) Entender que a interdisciplinaridade nada mais é do que uma tentativa de aproximação da realidade.

18) Praticar em suas disciplinas uma educação libertacional, ou seja, aquela que não coíbe a criatividade e o estudante é o verdadeiro protagonista, capacitado para buscar seu engrandecimento individual e coletivo.

19) Por todos esses motivos apresentados, ser pesquisador no Brasil é entender que a ciência brasileira precisa ousar mais, almejar grandes feitos e se libertar do complexo de vira-lata, pois, hoje, nossos cientistas já encontram pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima.
 
20) Por fim, a última, mas não menos importante questão: Vale a pena ser pesquisador no Brasil?

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Um abraço e uma boa semana queridos leitores! 
Continuem participando e comentando para ampliarmos, cada vez mais, nossas discussões.
Até o próximo texto! ;D

11.2.11

Jogo do troca

Saudações ao caros leitores desse blog,

De acordo com o autor de teatro francês Pierre de Beaumarchais: “É preciso rir logo de tudo antes que nos obriguem a chorar.” 

Por isso, de maneira análoga ao programa de TV da Band "É Tudo Improviso", vamos começar agora o JOGO DO TROCA.


Procederemos assim: após as perguntas dos personagens ALUNOS, toda vez que eu disser TROCA, o personagem PROFESSOR terá que trocar a última coisa que ele disse por outra (refletindo, na terceira resposta (em itálico), muitas vezes, o verdadeiro significado das frases ditas em sala de aula).

Eu falo TROCA e ele troca na mesma hora! (para os que nunca viram esse jogo, recomendo que assistam o vídeo abaixo para entenderem melhor o post).

video

Precisamos de um LUGAR... ~~> Uma Universidade.

Precisamos de uma SITUAÇÃO... ~~> Primeiro dia de aula em uma disciplina.

Portanto: 

“PRIMEIRO DIA DE AULA EM UMA DISCIPLINA NA UNIVERSIDADE”


Atenção, VALENDO:

Aluno: “Professor, qual a importância dessa disciplina?
Professor: “Essa disciplina é extremamente útil.” (TROCA)
Professor: “Essa disciplina serve de base para vocês entenderem as próximas.(TROCA)
Professor: “Nunca parei pra pensar quais são os reais objetivos dessa disciplina...”


Aluno: “Mas sendo assim, nós teremos avaliações?!?
Professor: “Apenas uma avaliação ao final da disciplina.” (TROCA)
Professor: “Apenas uma pergunta ao final da disciplina para dar mais emoção.” (TROCA)
Professor: “Apenas pra vocês NÃO se interarem ao longo da disciplina do que sabem, do que não sabem e do que deveriam saber...”


Aluno: “Hum, e como seremos avaliados?
Professor: “Vocês serão avaliados oportunamente.” (TROCA)
Professor: “Vocês serão avaliados em algum momento.” (TROCA)
Professor: “Se eu contar pra vocês TODAS as regras da disciplina vocês deixarão de freqüentar às minhas aulas...”

Aluno: “Ah e, falando nisso, como serão nossas aulas?
Professor: “A disciplina será dada na forma de ditado.” (TROCA)
Professor: “A disciplina será dada na forma de ditado rápido.” (TROCA)
Professor: “Eu não quero ouvir perguntas inúteis e incômodas durante as aulas...” 


Aluno: “Mas não seria interessante que nossas aulas fossem dadas com recursos didáticos variados?
Professor: “Não temos recursos financeiros para isso.” (TROCA)
Professor: “Não temos tanto tempo a perder, pois o conteúdo é MUITO extenso.” (TROCA)
Professor: “Não tenho tanto tempo a perder preparando aulas diferentes, pois sou muito mais valorizado pelo número de artigos que publico...”

  
Aluno: “Ok, mas e no caso de dúvidas com o conteúdo da disciplina, como faremos?
Professor: “Bem, vou lhes apresentar agora o fulano que é mestrando...” (TROCA)
Professor: “Bem, vou lhes apresentar agora o beltrano que é doutorando...” (TROCA)
Professor: “Se vocês forem toda hora na minha sala, não consigo organizar minhas pesquisas...”


Aluno: “Professor, com relação às faltas, se eu trouxer atestado médico elas serão retiradas?
Professor: “Você pode faltar em até 30% das aulas, mais que isso não.” (TROCA)
Professor: “Você pode faltar mais de 30% das aulas, se quiser pegar DP direto.” (TROCA)
Professor: “Se eu não controlar as faltas, ninguém aparece na minha aula...”

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Boa semana leitores!
Comentem esse post para ampliarmos as discussões, ok?
Até o próximo texto!

31.1.11

Mim ser professor, você ser aluno!



Hao Leitores! (Saudação) [sic]

Na educação, o pensamento "mim ser professor e você ser aluno", ou seja, acreditar hierarquicamente que só os profissionais têm visão de mundo está ultrapassado

No entanto, ainda hoje, encontramos vários professores que defendem ou apenas replicam esse comportamento

Respeitar e ouvir a posição do aluno não pode mais ser, quando muito, um apêndice da aula ou um mero tira-dúvidas.

Os professores, muitas vezes, erram porque querem ensinar aos alunos a partir de sua visão pessoal da realidade.


Enquanto o mais adequado seria dialogar com os alunos sobre a sua visão e a deles a cerca da realidade.

Assim, o professor sempre se questionaria:

- O que será que pensam meus alunos sobre determinada realidade?

- Qual o nível de percepção dessa realidade que meus alunos possuem?

- Qual a visão de mundo que eles têm?


Entretanto, é comum verificarmos uma aula baseada em relações ineficientes, como:

Professor ~~> Aluno

ou

Professor <~~ Aluno

  Professor   
Aluno

ou

   Aluno__
Professor

Questiono: Não seria mais interessante se as aulas tivessem mais problemas para nos desafiar e menos conteúdos para copiar?


Precisamos de mais problematização e humildade na relação professor-aluno.

Lembrando que Nãodiálogo sem humildade, pois a auto-suficiência é incompatível com o diálogo


Precisamos de um ensino, onde essa relação se dê da seguinte forma:


Professor <~~~~> Aluno, interagindo entre eles e com o mundo.


Dessa interação, produzem-se as idéias que poderão, então, ser transformadas em ação no mundo.


Esse mundo que impressiona, desafia, gera pontos de vista, anseios, dúvidas, esperanças e desesperanças é o mesmo mundo que deve balizar a elaboração dos conteúdos programáticos das aulas.

Afinal, o tema de uma aula não existe puramente por si, mas sim, pelo fato de que ele existe no cotidiano das pessoas.

Contextualizando com a tragédia na região serrana do Rio de Janeiro que, até a data de hoje, 31 de Janeiro, foram:

Cidade de Nova Friburgo/RJ - Foto de Jadson Marques - 14.jan.2011/Efe

- 15 cidades atingidas.
- 842 mortes e 470 desaparecidos.
- 8.764 desabrigados e 20.790 desalojados.

Obviamente que não desconsiderando o grave descaso do poder público nesse episódio, continuar, hoje, insistindo em uma educação acrítica e desproblematizada é como construir casas na beira de rios e lagos:

Todo mundo sabe que é uma condição inadequada, mas, mesmo assim, só percebem seus efeitos negativos com o passar do tempo, no caso do RJ, com a chegada das chuvas e, conseqüentes, enchentes e deslizamentos capazes de ceifar centenas de vidas.

Em ambos os casos, na tragédia da região serrana do RJ e na educação, lamentar (na condição de Lagartas Gordas (*)) é a última das soluções.


(*) A expressão Lagartas Gordas não foi pensada para ofender, perverter ou ironizar, mas sim, para fazer uma crítica ao medo de ousar das pessoas, que preferem permanecer acomodadas.
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Uma boa semana aos meus queridos leitores! 
Continuem ativos para ampliarmos, cada vez mais, nossas discussões.
Aguardo os comentários de vocês, ok? ;D
Até o próximo texto!

30.1.11

Aniversário de 1 mês do Blog Lagartas Gordas


  
O Blog Lagartas Gordas (*) completa hoje seu aniversário de 1 mês de existência: parabéns a todos os leitores, visitantes e colaboradores!

A saber, nesse curto período o blog já registrou: 

  • 6 textos originais, sobre educação, ensino e filosofia. Uma média de quase 2 textos por semana.

  •  1.885 visitantes, sendo 1.765 originados do Brasil (94%) e os demais, 120, de outros países como: Estados Unidos, Espanha, França, Portugal, Colômbia, India, Japão, Suécia, Austrália, Costa Rica, Rússia, Bélgica, China. Uma média de 63 visitantes por dia e 440 por semana.

  •  77 comentários críticos relacionados aos textos, reforçando os principais objetivos desse blog: estimular a discussão, reflexão e ação das pessoas. Uma média de 13 comentários por texto, não considerando a nota explicativa a respeito do título do blog.

  •  15 seguidores no Google friend connect. 


Parabéns a todos! =D

(*) A expressão Lagartas Gordas não foi pensada para ofender, perverter ou ironizar, mas sim, para fazer uma crítica ao medo de ousar das pessoas, que preferem permanecer acomodadas. 
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22.1.11

Brasil: a educação e os 11 desafios para 2011


No início de cada ano, como todo bom brasileiro, minhas esperanças são sempre renovadas.

No entanto, tenho percebido que, nenhuma realidade deste mundo consegue se transformar por si só ou, exclusivamente, com a esperança.

Assim, justifico e inicio esse texto mostrando o papel da educação na superação dos grandes desafios brasileiros neste e nos próximos anos:

(1) Combater, sem tréguas, o crime organizado.
(2) Lutar para superar as muitas formas de discriminação.
(3) Erradicar a pobreza extrema e criar oportunidades para todos.
(4) Ampliar a produção e o consumo de nossos bens culturais.
(5) Consolidar o Sistema Único de Saúde.
(6) Combater as drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra a juventude.
(7) Investir em obras estruturais nos Estados e Municípios.
(8) Mostrar ao mundo que é possível crescer sem destruir o meio ambiente.
(9) Manter a estabilidade econômica.
 
(10) Melhorar a qualidade do gasto público.

Para transformar qualquer realidade que seja é preciso, primeiramente, refletir e, em seguida, agir sobre ela.

O desenvolvimento crítico das pessoas, através da prática da reflexão, é condição primeira para transformação

Por esse motivo, a figura do professor dota-se de relevância e, conseqüentemente, de responsabilidade na formação de estudantes aptos para superarem as contradições do nosso cotidiano

Contradições que não são poucas, como vocês perceberam nas imagens acima.

Precisamos de um ensino reflexivo ao invés da pura exposição de um conteúdo.

Precisamos de um ensino baseado no diálogo permanente entre o professor e o aluno, capaz de formar, cada vez mais, sujeitos aptos a refazerem a realidade

Esse é o sentido da educação.

Esse é o sentido do “ser professor” (vídeo abaixo).

Esse é o sentido do “ser aluno”.

video
                                                               (11) Valorizar os professores 

Se nesse processo, um dos dois – aluno ou professor – deixa de ser protagonista, o conhecimento não se recria e, conseqüentemente, da realidade se dissocia.

E, ao se dissociar, formam-se oposições.

Fazendo uma analogia aos partidos políticos brasileiros:

Ao se praticar um ensino separado da realidade, é como se, atualmente, tentássemos formar uma coligação entre o PT e o PSDB e, dessa relação, esperássemos a produção de frutos virtuosos (?!?)

Pouco provável.

Afinal, a realidade é dinâmica, movimentada, não comportada e descompartimentada.

E o ensino, muitas vezes, tem sido estático, comportado e compartimentado.

Agora, com esse ensino deficitário, pergunto-lhes:

Quando é que despertaremos para reconhecer criticamente e agir sobre os desafios mostrados nas imagens acima?

Quanto tempo conseguiremos permanecer na condição de Lagartas Gordas? (*)

Por fim, acredito que, ainda que o conformismo continue encontrando portas abertas para se alojar, a reflexão crítica continuará sendo a maior arma contra a estagnação social.

"O Pensador" é uma das mais famosas esculturas de bronze do escultor francês Auguste Rodin.
Retrata um homem em meditação soberba, lutando com uma poderosa força interna.



(*) A expressão Lagartas Gordas não foi pensada para ofender, perverter ou ironizar, mas sim, para fazer uma crítica ao medo de ousar das pessoas, que preferem permanecer acomodadas.
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Um abraço aos meus queridos leitores! 
Quero informar-lhes que, a partir dos comentários deixados no post anterior "Educação: da teoria à prática",  novas idéias apareceram e inclusive, alguma delas, já foram colocadas nesse texto que acabaram de ler.
Continuem participando e comentando para ampliarmos, cada vez mais, nossas discussões.
Até o próximo texto! ;D