24.2.11

Pesquisador no Brasil: ser ou não ser, eis a questão

O Brasil tem demonstrado atualmente um aumento no grau de maturidade democrática, estabilidade econômica e inclusão social que nos permite, independente de nossas profissões, sonhar grande.

Na área científica, dados mais recentes, de 2008, mostram que o Brasil subiu degraus no ranking da produção científica mundial, ao passar da 15ª para a 13ª colocação, superando Holanda e Rússia.

Na década de 90 o Brasil detinha apenas 0,6% da produção científica mundial, subindo para atuais 2,6%. Os EUA ainda lideram esse ranking com 29% de todos os artigos publicados no mundo, enquanto a China possui 9,9%.

Além disso, o Brasil formou cerca de 10 mil novos pesquisadores doutores, um crescimento de dez vezes em 20 anos. Desse total, só a USP é responsável por 20%, Unicamp 9% e a Unesp 7,6%.

Produzimos, hoje, ciência de qualidade no que se refere à economia do conhecimento natural, ou seja, nas áreas de agricultura (commodities), gás e petróleo e energia limpa.


No entanto, precisamos avançar em outros setores como, por exemplo, o da economia da informação, o do conhecimento e o setor da saúde (fármacos e equipamentos).

Diante desses cenários, emergem as seguintes questões: ser ou não ser pesquisador no Brasil, eis a questão...


Ser pesquisador no Brasil é:

1) Firmar, acima de tudo, um compromisso com a sociedade.
 
2) Estar apto e disposto a construir a imagem de uma ciência forte no Brasil.

3) Entender a ciência como questão estratégica para construção da soberania nacional, mas também para fazer diferença localmente, mostrando à sociedade o que se pode obter a partir dos avanços científicos.

 
4) Superar uma burocracia infernal, frustrante e desgastante para realizar as pesquisas.

5) Superar a falta de infra-estrutura das universidades e centros de pesquisa.

6) Submeter seus trabalhos, constantemente, à crítica da comunidade científica nacional e internacional.


7) Compreender que todos têm algo a ensinar.


8) Lutar para derrubar o muro de Berlim, ainda existente, entre a Universidade e a Iniciativa privada.

9) Se dividir em vários projetos simultaneamente, porque, bem ou mal, a produtividade do trabalho acadêmico é medida em artigos científicos publicados.




10) Apresentar compromisso ético com o trabalho, pois na ciência a mentira tem a perna mais curta do que o convencional, pelo fato dela ser extremamente cartesiana

11) Entender que a ciência que desenvolvemos só é verdadeira se alguém conseguir repeti-la, senão as descobertas cairão no esquecimento.

12) Estar apto a apresentar o conhecimento correto, aplicável, ético, racional, inteligente e cidadão aos governantes de todas as esferas.
 
13) Ter novas idéias, vontade de experimentar e descobrir. Mas descobrir pelo acaso também.

14) Utilizar os métodos mais adequados para potencializar o conhecimento.


15) Utilizar o material mais adequado para aumentar a possibilidade de conhecer.

16) Compreender que as disciplinas ministradas na Universidade não existem por si só, mas que são problemas reais. Por isso, é necessário que, cada vez mais, cada conhecimento tenha a humildade de aceitar ser intercruzado com outros.

17) Entender que a interdisciplinaridade nada mais é do que uma tentativa de aproximação da realidade.

18) Praticar em suas disciplinas uma educação libertacional, ou seja, aquela que não coíbe a criatividade e o estudante é o verdadeiro protagonista, capacitado para buscar seu engrandecimento individual e coletivo.

19) Por todos esses motivos apresentados, ser pesquisador no Brasil é entender que a ciência brasileira precisa ousar mais, almejar grandes feitos e se libertar do complexo de vira-lata, pois, hoje, nossos cientistas já encontram pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima.
 
20) Por fim, a última, mas não menos importante questão: Vale a pena ser pesquisador no Brasil?

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Um abraço e uma boa semana queridos leitores! 
Continuem participando e comentando para ampliarmos, cada vez mais, nossas discussões.
Até o próximo texto! ;D

9 comentários:

  1. Muito bom o texto jenipapo. Ser pesquisador é ótimo, sendo que a pesquisa em si é uma atividade diária, buscando sempre a interação curiosidade-descoberta. Continue fazendo ótimos textos!!!!
    Abração
    Simone Ciavatta

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  2. Claudia Wesselka25 fevereiro, 2011

    Adorei. Acho interessante seus textos, pois são temas que nos incomoda no dia a dia, e proporciona determinada identificação pessoal.
    Fico satisfeita com o desenvolvimento científico do Brasil. Vejo que isto foi possível porque temos pessoas que, independente das limitações, lutam e conseguem ser cientistas. Talvez são pequenos, desconhecidos perante todos, mas são nobres por gerar descobertas. Agora, o fator importante é como fazer a extensão dos novos conhecimentos para a sociedade.
    Observo que sempre teremos um desafio. O que não deixa de ser interessante, uma vez que estes são oportunidades para atuarmos como profissionais, como pessoas, sempre visando a solução.
    Parabéns Jenipapo.
    Bjoos.

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  3. Parabéns pelo texto. Realmente a dúvida do "Ser ou Não Ser" de Shakespeare se aplica diretamente à questão científica. O Brasil vem sofrendo há anos a constante "fuga de cérebros". O principal motivo disso chama-se FALTA DE INCENTIVO. Há falta de incentivo durante a vida toda. A criança do ensino básico não se interessa pela Ciência por não se sentir incentivada e ter a simples figura do cientista louco na cabeça. Quando chega à universidade, não se incentiva pelas matérias devido à falta de preparo de alguns professores e laboratórios. Não se incentiva a buscar novos modelos de sua pesquisa ou construir sua idéia porque há falta de verba, demora para aceitarem requisições de material ou simplesmente burocracia. E quando se torna realmente um cientista ou um profissional da área, há falta de incentivo tanto em grupos de pesquisa que geralmente são desvalorizados ou mesmo as empresas e órgãos superiores não valorizam a idéia... SOLUÇÃO: FUGA... e mais um cérebro criativo vai para fora com uma idéia brasileira...
    Precisamos mudar esse contexto, mudar esse planejamento, mas como?
    VALORIZANDO A PESQUISA! E PESQUISANDO CADA VEZ MAIS... SALTANDO POR CIMA DOS OBSTÁCULOS E UNINDO CIENTISTAS DE MESMAS IDÉIAS...
    Educação é tudo, mas antes, educação básica e só depois a técnica e superior... há muitas escolas superiores boas hoje, o problema está em quem frequenta, salvas algumas exceções.
    BRASIL É UM BERÇO DE MATERIAL PARA ESTUDO CIENTÍFICO, faltam mentes capacitadas...
    Agora respondendo... Ser cientista no Brasil vale a pena? Primeiro seja brasileiro, acredite no seu país, depois seja Cientista e busque a sabedoria... aí sim poderemos ser cientistas no Brasil.

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  4. Belíssimo texto, meus parabéns! E apesar dos desafios encontrados pelos pesquisadores brasileiros, acredito sim que vale a pena ser pesquisador no Brasil, pois a causa justifica a superação destes desafios.
    Um abraço!
    Diego de Leon

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  5. Leonardo (Brix)28 fevereiro, 2011

    Boa tarde Jeni!
    Parabéns pelo texto, está incrível pois você conseguiu abordar o assunto de uma forma sucinta e objetiva, levando o leitor a refletir sobre a situação do pesquisador no país.
    Acredito que um ponto extremamente importante que abordou no texto foi em relação ao compromisso ético que os pesquisadores devem ter com seu respectivo trabalho e com a sociedade, isso é fundamental, ou melhor, essencial. Lembrando de alguns "doutores" que conhecemos na universidade, fico me perguntando,"será que eles tem ética? Compromisso com o aluno e a sociedade?"`Éhhh meu amigo! Muita coisa tem que melhorar, mas tenho fé que um dia chegaremos lá!

    Um abraço

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  6. André Carignato03 março, 2011

    Seu texto desperta a vontade de pesquisar que a maioria dos estudantes de graduação deixa um pouco de lado. Todo mundo devia ler esse texto,sugiro que você tente publicar no jornal da FCA! hehe
    Abraços

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  7. O perfil do Jenipapo pra mim sempre foi o de pesquisador.
    Não só por ele ser extremamente inteligente, aplicado, organizado, responsável e bem informado, mas pra mim o mais importante no perfil da pesquisa é aquele que não aceita tudo o que vem de informação como confiável, que critica a eficiência dos métodos, que tem uma visão de mundo diferente da maioria das pessoas.

    É Jeni, ser pesquisador não é fácil, me parece que hoje em dia nenhuma ação nobre é livre de qualquer esforço que nós julgamos desnecessário, mas assim são as escolhas na nossa vida. E também tem outra se não tivéssemos tantos problemas a resolver enquanto trilhamos o caminho que julgamos correto de onde viria toda essa vontade de continuar lutando? Eu não sei qual será a resposta dos pesquisadores que lêem a sua retórica, mas eu sei qual é a sua resposta pra ela.

    Pra mim é uma honra ter um colega como você dentro do meio da pesquisa na florestal. Não vou colocar mais nenhum elogio porque sei que não foi por ego que você postou isso e que você não precisa disso pra continuar seu caminho, mas não consegui escrever diferente.
    Belo Blog!
    Mato

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  8. Acho que você só esqueceu de comentar sobre o lado finnceiro. Um gerente de uma empresa com uma simples graduação ganha no mínimo duas vezes mais $$$ que um professor pesquisador Pós-Doc. Pra mim está sendo muito difícil decidir.

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  9. Parabéns pelo texto!

    "Não quero ser um mero espectador, esperando iniciativa alheia, mas vou botar minha cabeça para funcionar em prol da sociedade!" - Acho que isso resume o pensamento de um pesquisador.

    Vamos prestigiar o que é brasileiro, e deixar de lado o pensamento de que tudo que é importado é melhor.

    Saudações a todos,

    Felipe

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