31.1.11

Mim ser professor, você ser aluno!



Hao Leitores! (Saudação) [sic]

Na educação, o pensamento "mim ser professor e você ser aluno", ou seja, acreditar hierarquicamente que só os profissionais têm visão de mundo está ultrapassado

No entanto, ainda hoje, encontramos vários professores que defendem ou apenas replicam esse comportamento

Respeitar e ouvir a posição do aluno não pode mais ser, quando muito, um apêndice da aula ou um mero tira-dúvidas.

Os professores, muitas vezes, erram porque querem ensinar aos alunos a partir de sua visão pessoal da realidade.


Enquanto o mais adequado seria dialogar com os alunos sobre a sua visão e a deles a cerca da realidade.

Assim, o professor sempre se questionaria:

- O que será que pensam meus alunos sobre determinada realidade?

- Qual o nível de percepção dessa realidade que meus alunos possuem?

- Qual a visão de mundo que eles têm?


Entretanto, é comum verificarmos uma aula baseada em relações ineficientes, como:

Professor ~~> Aluno

ou

Professor <~~ Aluno

  Professor   
Aluno

ou

   Aluno__
Professor

Questiono: Não seria mais interessante se as aulas tivessem mais problemas para nos desafiar e menos conteúdos para copiar?


Precisamos de mais problematização e humildade na relação professor-aluno.

Lembrando que Nãodiálogo sem humildade, pois a auto-suficiência é incompatível com o diálogo


Precisamos de um ensino, onde essa relação se dê da seguinte forma:


Professor <~~~~> Aluno, interagindo entre eles e com o mundo.


Dessa interação, produzem-se as idéias que poderão, então, ser transformadas em ação no mundo.


Esse mundo que impressiona, desafia, gera pontos de vista, anseios, dúvidas, esperanças e desesperanças é o mesmo mundo que deve balizar a elaboração dos conteúdos programáticos das aulas.

Afinal, o tema de uma aula não existe puramente por si, mas sim, pelo fato de que ele existe no cotidiano das pessoas.

Contextualizando com a tragédia na região serrana do Rio de Janeiro que, até a data de hoje, 31 de Janeiro, foram:

Cidade de Nova Friburgo/RJ - Foto de Jadson Marques - 14.jan.2011/Efe

- 15 cidades atingidas.
- 842 mortes e 470 desaparecidos.
- 8.764 desabrigados e 20.790 desalojados.

Obviamente que não desconsiderando o grave descaso do poder público nesse episódio, continuar, hoje, insistindo em uma educação acrítica e desproblematizada é como construir casas na beira de rios e lagos:

Todo mundo sabe que é uma condição inadequada, mas, mesmo assim, só percebem seus efeitos negativos com o passar do tempo, no caso do RJ, com a chegada das chuvas e, conseqüentes, enchentes e deslizamentos capazes de ceifar centenas de vidas.

Em ambos os casos, na tragédia da região serrana do RJ e na educação, lamentar (na condição de Lagartas Gordas (*)) é a última das soluções.


(*) A expressão Lagartas Gordas não foi pensada para ofender, perverter ou ironizar, mas sim, para fazer uma crítica ao medo de ousar das pessoas, que preferem permanecer acomodadas.
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Uma boa semana aos meus queridos leitores! 
Continuem ativos para ampliarmos, cada vez mais, nossas discussões.
Aguardo os comentários de vocês, ok? ;D
Até o próximo texto!

30.1.11

Aniversário de 1 mês do Blog Lagartas Gordas


  
O Blog Lagartas Gordas (*) completa hoje seu aniversário de 1 mês de existência: parabéns a todos os leitores, visitantes e colaboradores!

A saber, nesse curto período o blog já registrou: 

  • 6 textos originais, sobre educação, ensino e filosofia. Uma média de quase 2 textos por semana.

  •  1.885 visitantes, sendo 1.765 originados do Brasil (94%) e os demais, 120, de outros países como: Estados Unidos, Espanha, França, Portugal, Colômbia, India, Japão, Suécia, Austrália, Costa Rica, Rússia, Bélgica, China. Uma média de 63 visitantes por dia e 440 por semana.

  •  77 comentários críticos relacionados aos textos, reforçando os principais objetivos desse blog: estimular a discussão, reflexão e ação das pessoas. Uma média de 13 comentários por texto, não considerando a nota explicativa a respeito do título do blog.

  •  15 seguidores no Google friend connect. 


Parabéns a todos! =D

(*) A expressão Lagartas Gordas não foi pensada para ofender, perverter ou ironizar, mas sim, para fazer uma crítica ao medo de ousar das pessoas, que preferem permanecer acomodadas. 
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22.1.11

Brasil: a educação e os 11 desafios para 2011


No início de cada ano, como todo bom brasileiro, minhas esperanças são sempre renovadas.

No entanto, tenho percebido que, nenhuma realidade deste mundo consegue se transformar por si só ou, exclusivamente, com a esperança.

Assim, justifico e inicio esse texto mostrando o papel da educação na superação dos grandes desafios brasileiros neste e nos próximos anos:

(1) Combater, sem tréguas, o crime organizado.
(2) Lutar para superar as muitas formas de discriminação.
(3) Erradicar a pobreza extrema e criar oportunidades para todos.
(4) Ampliar a produção e o consumo de nossos bens culturais.
(5) Consolidar o Sistema Único de Saúde.
(6) Combater as drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra a juventude.
(7) Investir em obras estruturais nos Estados e Municípios.
(8) Mostrar ao mundo que é possível crescer sem destruir o meio ambiente.
(9) Manter a estabilidade econômica.
 
(10) Melhorar a qualidade do gasto público.

Para transformar qualquer realidade que seja é preciso, primeiramente, refletir e, em seguida, agir sobre ela.

O desenvolvimento crítico das pessoas, através da prática da reflexão, é condição primeira para transformação

Por esse motivo, a figura do professor dota-se de relevância e, conseqüentemente, de responsabilidade na formação de estudantes aptos para superarem as contradições do nosso cotidiano

Contradições que não são poucas, como vocês perceberam nas imagens acima.

Precisamos de um ensino reflexivo ao invés da pura exposição de um conteúdo.

Precisamos de um ensino baseado no diálogo permanente entre o professor e o aluno, capaz de formar, cada vez mais, sujeitos aptos a refazerem a realidade

Esse é o sentido da educação.

Esse é o sentido do “ser professor” (vídeo abaixo).

Esse é o sentido do “ser aluno”.

video
                                                               (11) Valorizar os professores 

Se nesse processo, um dos dois – aluno ou professor – deixa de ser protagonista, o conhecimento não se recria e, conseqüentemente, da realidade se dissocia.

E, ao se dissociar, formam-se oposições.

Fazendo uma analogia aos partidos políticos brasileiros:

Ao se praticar um ensino separado da realidade, é como se, atualmente, tentássemos formar uma coligação entre o PT e o PSDB e, dessa relação, esperássemos a produção de frutos virtuosos (?!?)

Pouco provável.

Afinal, a realidade é dinâmica, movimentada, não comportada e descompartimentada.

E o ensino, muitas vezes, tem sido estático, comportado e compartimentado.

Agora, com esse ensino deficitário, pergunto-lhes:

Quando é que despertaremos para reconhecer criticamente e agir sobre os desafios mostrados nas imagens acima?

Quanto tempo conseguiremos permanecer na condição de Lagartas Gordas? (*)

Por fim, acredito que, ainda que o conformismo continue encontrando portas abertas para se alojar, a reflexão crítica continuará sendo a maior arma contra a estagnação social.

"O Pensador" é uma das mais famosas esculturas de bronze do escultor francês Auguste Rodin.
Retrata um homem em meditação soberba, lutando com uma poderosa força interna.



(*) A expressão Lagartas Gordas não foi pensada para ofender, perverter ou ironizar, mas sim, para fazer uma crítica ao medo de ousar das pessoas, que preferem permanecer acomodadas.
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Um abraço aos meus queridos leitores! 
Quero informar-lhes que, a partir dos comentários deixados no post anterior "Educação: da teoria à prática",  novas idéias apareceram e inclusive, alguma delas, já foram colocadas nesse texto que acabaram de ler.
Continuem participando e comentando para ampliarmos, cada vez mais, nossas discussões.
Até o próximo texto! ;D

16.1.11

Educação: da teoria à prática


A relevância de um livro pode ser verificada na forma como ele resiste, intelectualmente, ao passar do tempo.

O dicionário é um ótimo exemplo disso.

No entanto, freqüentemente, a função etimológica desse importante livro – mostrar a origem de cada palavra através de sua formação e evolução – tem sido ignorada ou distorcida, conforme mostra o vídeo abaixo:


Isso também ocorre, infelizmente, com o significado da palavra educação.

Educação confunde-se com ensino.

Educação confunde-se com transmissão de conhecimentos do mundo.

Quando, na verdade, não é.

Contudo, antes de revelar o que significa educação, precisamos refletir um pouco sobre a seguinte questão:

O que o nosso sistema educacional pretende produzir?

Ora, se ele pretende promover treinamento, como forma de inserir os estudantes na economia do país, ele está correto em basear-se apenas no acúmulo de conhecimentos.


No entanto, pergunto-lhes se essa visão de educação:

É capaz de dar algum sentido à vida? 

Permite aos professores ensinar alegria aos seus alunos

Consegue mostrar, aos alunos, a aplicação do conhecimento em sua profissão?

É capaz de despertar o potencial único de cada estudante?

Sinceramente, creio que não.

Afinal, esse tipo de deformação acarreta nos estudantes a redução da capacidade de pensar, devido ao fornecimento de respostas prontas aos problemas e à aversão ao erro, transformando-lhes em Lagartas Gordas (*).


Isso ocorre porque nessa ótica educacional, o erro é encarado de forma punitiva e não como propulsor de melhorias e inovações.

Isso está errado.

A educação, mais do que promover a melhoria da qualidade de vida dos grupos sociais, precisa dar sentido à vida das pessoas. 

Ensiná-las a se valorizar.

Precisa apresentar o estudante à vida real, revelá-lo ao mundo externo.

Afinal,

Segundo o dicionário, a palavra educação, que deriva do verbo educar, do latim educere, significa trazer pra fora as potencialidades de cada estudante...

(*) A expressão Lagartas Gordas não foi pensada para ofender, perverter ou ironizar, mas sim, para fazer uma crítica ao medo de ousar das pessoas, que preferem permanecer acomodadas.
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Um abraço e meu sincero agradecimento aos queridos leitores deste blog que, prontamente, têm me ajudado com sugestões de temas e comentários críticos aos textos. Continuem participando e até o próximo texto! ;D

13.1.11

Metamorfoses

Metamorfose de Narciso é um quadro do pintor espanhol Salvador Dalí.

Na vida, as coisas parecem sempre metamorfosear-se.

Mudar de forma profunda.

Madeira, sob efeito do fogo, sofre metamorfose pra virar cinza.

Água, pra formar nuvem.

Lagarta, pra ser borboleta.


Ser humano também, com apenas uma palavra, se transforma; se reinventa.

Não é preciso mais que uma palavra para nos metamorfosear.

Para, de uma aparente estabilidade, fazer-nos brotar um sorriso.

De um sorriso, uma lágrima. 

E vice-versa.

O que éramos há um segundo, já não somos mais.

Há quem acredite que, na vida, morremos uma vez só. 

Não concordo.

Quem morre somente uma vez é o nosso corpo.

Por outro lado, quando nos transformamos é como se morrêssemos e nascêssemos de novo.

Renascemos.

E, ao renascer, estamos aptos, novamente, a planejar vôos proibidos por meio de nossas novas escolhas.

 
E, se um dia achares que não podes mais metamorfosear-se nessa vida,

Lembra-te da sua infância e pergunta-te, honestamente, o que aconteceu com aquela criança que se deslumbrava com o banal e sorria aos outros com olhos encantados?


Metamorfoseou-se? 

Em que? 

Por quem? 

Mas, por quê?...

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Um forte abraço em todos vocês, leitores, sempre participativos e questionadores!
Se você gostou desse texto deixe seu comentário. Se não gostou, deixe também, rs. Até o próximo texto! :D

9.1.11

A Idéia e o Sono


Havia um tempo em que a Idéia e o Sono se encontravam  apenas casualmente, ou seja, sem lugar, motivo ou hora marcada.

Eles não se procuravam. Simplesmente se encontravam.

A Idéia era rápida, leve e perspicaz; de origem desconhecida.

O Sono era devagar, misterioso; amante da noite.

No entanto, ambos, sabiamente, se aceitavam exatamente da forma como eram.

Num desses encontros, a Idéia resolveu convidar o Sono para disputar uma corrida.

Amistosamente, o Sono aceitou.


Dada a largada, a Idéia corria velozmente pela pista; o Sono era extremamente lento.

Enquanto a Idéia já havia passado dez vezes pela linha de chegada, o Sono, a passos lentos, não havia sequer alcançado a metade da primeira volta.

No entanto, por ser mais rápida e, conseqüentemente, ter corrido mais, a Idéia se cansou primeiro e ficou pelo caminho.

Quando isso aconteceu, o Sono a alcançou e, pegando-a em seus braços, conduziu-a por uma viagem livre, tranqüila e incoerente, onde, tudo aquilo que fazia sentido para a Idéia só conseguia, agora, repousar entre o brilho das mais belas estrelas.


Longe do chão, a Idéia permitiu que o Sono se tornasse seus pés, fazendo-a recordar de cada detalhe do encontro dos dois, brindando-a com imagens que ela jamais vira.

Depois daquela corrida, a Idéia e o Sono perceberam que não jamais poderiam ser adversários.

Pelo contrário, eles descobriram que deveria haver entre eles uma relação mútua, pois:
 

A Idéia precisava do Sono para se recuperar e o Sono precisava da Idéia para fazê-lo acreditar no amanhã; fazê-lo acreditar na possibilidade de uma nova corrida entre os dois.  

Foi então que a Idéia passou a ansiar pelo encontro com o Sono e o Sono passou a ansiar pelo encontro com a Idéia.
                                                                       *
                                                                  *       *   
    
"Dessa forma, a partir dos encontros desses dois até os nossos dias, a humanidade passou a testemunhar o nascimento das mais belas invenções que já se teve notícia"

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Um abraço e até o próximo texto!
Se você gostou desse texto deixe seu comentário. Se não gostou, deixe também. Sua opinião, leitor, é muito importante para a continuidade desse Blog. *-*

6.1.11

Informação abstrata não vira conhecimento

De acordo com o dicionário Aurélio, o significado de descartar é:

1. Rejeitar;      
2. Não considerar;
3. Jogar fora após o uso;
4. Livrar-se de pessoa ou coisa indesejável.

Eu descarto informação abstrata;
Tu descartas informação abstrata;
Ele/Ela descarta informação abstrata;
Nós descartamos informação abstrata;
Vós descartais informação abstrata;
Eles/Elas descartam informação abstrata.

Acrescento: quem ainda não descartou informação abstrata, um dia entrará para o clube.

Esquecer o que aparentemente foi ensinado na escola, do fundamental à pós-graduação, não é nenhum absurdo, como dizem por aí. Muito pelo contrário, esquecer aquilo que não nos é importante é, na maioria das vezes, uma sábia decisão do nosso corpo, do nosso cérebro.  

Muitos professores e alunos acreditam que informações abstratas passadas durante as aulas funcionem como uma poupança, capaz de render juros ao longo do tempo ou então que serão úteis algum dia. 

Ledo engano. 

Se o aluno não compreender a utilidade e a beleza do conteúdo no momento em que lhe é ensinado, de nada servirá.

Admiro as pessoas que possuem a belíssima capacidade de esquecer as informações abstratas entre uma fala e outra do professor. Por outro lado, outras pessoas conseguem carregar esse peso morto por um tempo maior.

Todavia, independente do tempo que cada um retém uma informação abstrata, mais cedo ou mais tarde, essa informação terá reservada pra si um único destino: o esquecimento.

Para ilustrar essas idéias, observem o gráfico:

Dessa forma, quero propor que, para um melhor aprendizado nas escolas: 

1) Os professores fizessem para si a simples pergunta: “Esse conteúdo é útil para o meu aluno, AGORA?” Se julgar que sim: “EM QUE?"

 2) Os alunos refletissem primeiro e depois fizessem ao seu professor a simples pergunta: “Qual a importância de se aprender determinado conteúdo?” "Em que ele me é útil?"

Confesso-lhes também que durante minha formação escolar, freqüentemente, essa segunda pergunta me veio à cabeça. Por vezes, criei coragem e a converti em palavras. Por vezes, arrependidamente, não.

No entanto, quase sempre que eu, com todo respeito, fazia essa pergunta tinha a impressão de estar proferindo uma sentença de morte ao professor.


Esse meu questionamento parecia soar como uma ofensa ou algo pecaminoso com relação aos dogmas do ensino, quando, na verdade, eu só estava tentando converter na minha cabeça informações abstratas em conhecimento real.

Paradoxalmente, ao final de algumas fatídicas aulas, alguns professores diziam: “alguma pergunta?”


O silêncio imperava. É óbvio.  

Como é que se pode esperar que os alunos façam alguma pergunta a respeito de algo que não os espantou? Que não os bestificou?

Para se aprender, de fato, é preciso que os professores produzam uma aula capaz de causar espanto em seus alunos; capaz de incitar a curiosidade

O verdadeiro aprendizado possui a habilidade ímpar de driblar o avanço do tempo, passando por ele sem sofrer avarias.

Portanto, leitores e leitoras desse blog, a partir de hoje não se esqueçam mais: “Informação abstrata não vira conhecimento”
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Um abraço e até a próxima conversa! ;D
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